terça-feira, 28 de abril de 2009

Sagramo-nos vitoriosas.

Façamos um mero exercício de escrita criativa. Pretendamos, portanto, que estamos sentados os três no sofá. Eu, ela e ele. No chão estará a Mariana, sentada de pernas à chinês e olhos atentos, escutando. Ele vai falar pouco, ela vai rir de cada vez que ele falar. Mais logo, a noite vai-se alongar entre votos de uma felicidade que virá, sim, mas graças a mim e à Mariana e não tanto graças a ele - pretendamos que esta parte se desconhece, trata-se tão-só de um mero exercício de escrita figurada. Não me surpreende tanto a capacidade das pessoas esquecerem como me abisma a potencialidade para o Homem ser cruel, vil e cru: uma vez ameaçado, não se distingue de uma qualquer besta sadia, e, qual presa encurralada, atacará tudo o que mexa e, pior, tudo o que é para deixar quieto. As feridas, tenhamos por exemplo. Oh, se as haviam de deixar quietas, a essas estuporadas que não saram e sangram por homens que são estúpidos e maus e arrogantes. Cruéis e vis e crus. Eventualmente, as feridas já não sangrarão e sagrar-se-ão vitórias gloriosas entre mulheres e homens tão distintos de ilustres bestas sadias. Detentores de uma sabedoria que não se restringe à filosofia barata, sorverão dos seus corpos uivos festivos e prazeres que superam a desgraça que a precedeu. Até lá, eu vou continuar no sofá sentada com ela, a Mariana juntar-se-á a nós porque lhe doem as pernas do chinês e tem sono de ver filmes até tarde, teremos pipocas e votos de uma felicidade que virá, sim, num plano sublime e superior ao figurado na escrita (dele).

Na verdade, nós, "mulheres feitas no esplendor da Existência", não precisamos que peças para te vergastarmos no lombo. Gostei da ironia, do tom provocatório com que te fingiste rebaixar. Mas nem disso necessitavas, fizeste os teus próprios lenhos quando desceste tão baixo: fosses tu mais prudente em julgar cabeças, corações e amizades - mais a mais, desconheces o seu valor absoluto, para lá do figurativo. Freud pode não explicar-to na teoria das motivações - por aí nem vou dissertar, não concebo quais possas ter sequer -, mas é do senso comum que o típico "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço" fica mal. Falo-te de consciência limpa do que apontas como ódio, ou o mais perto disso que consigo chegar: não há aqui computadores que deturpem ou manipulem as tuas sábias palavras e ninguém te atirou para a lama: quando te encontramos já lá jazias. Vendo bem, também a lama é como a pedra: dela nada brota.




PS.
Lamento, numa piedade crítica perto da do dó, que a alguém possa ter servido a carapuça de homens bichos de sete cabeças - salvé ao Nuno Rodrigues que, não sendo só de género, é homem que baste para não se tocar ou assustar, qual presa encurralada, com tão pouco.

8 comentários:

  1. :) uma pergunta já realizada "És psicologa?" ;);)

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  2. Só consigo responder a isto com um abraço físico dos bons :')
    precisamos de mais uma noite com donas de casa desesperadas, pipocas, chá, e eu com sono porque adormeço a ver filmes!

    amo-vos, meus corações *

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  3. Concordei com tudo o que disses-te até chegar à minha parte, que mesmo assim não deixo de agradecer.
    Antes de mais, devo dizer que li o texto todo com um riso nos lábios - pareço cruel, não? sabes que não era em relação a ti mas devido à imbecilidade que retratas-te duma forma sublime, esse bicho homem só de género que de tanto meter dó chega a dar vontade de rir - a ti não, eu sei, desculpa mas não pude evitar.
    Só disseste verdade - e conseguindo ser sempre objectiva e imparcial apesar do quanto te deve ter custado - e quem não gostou azar. Sabes que tens razão.
    Mas também nunca irás encontrar esse tipo homem que não é só de género pois na verdade só existiu em pequenas excepções como Che Guevara.
    Todos temos defeitos, nada a fazer. Esse medo que falas de se sentirem encurralados, de darem tão pouco de si é muito gritante. Mas se não é isso é outra coisa.
    (quanto a mim, é verdade que não me assusto dessa maneira. que tento não magoar dessa forma nenhuma mulher. mas não deixo de ser um bicho homem por natureza e uma vez por outra lá vou errando)

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  4. Subscrevo cada palavra. Estou farta destas bestas, homens,bichos de sete cabeça (salvé talvez o Nuno Rodrigues).

    Beijo, querida.

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  5. Sinceramente agradecido - digo-o como besta lamacenta, estúpida, má, arogante, cruel, vil e crua. Aguardava uma alma iluminada que me conseguisse descrever com tanta fidelidade, portanto é compreensivelmente tocante quando tal acontece.
    E só me resta louvar abundosamente a escrita "sublime", "objectiva", "imparcial" e, acima de tudo, verdadeira, tão verdadeira. Também subscrevo cada palavra, como toda a gente que tão bem conhece esta besta que sem embaraço enfia a carapuça.

    És encantadora.

    Obrigado.

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  6. Não precisas agradecer - poupa-me ironias, sarcasmos e afins, eu também percebo de línguas e recursos estílisticos André - e sinto-me insultada por julgares que não. Mas também - terá a tua falta de chá limites?
    Não te conhecem, os que comentaram, e, no final de contas, ninguém conheceu - nem mesmo nós. Se queres que te diga fui bem imparcial, surpreende-te lá. Caso contrário teria dito que me dá nauseas lembrar os raros momentos em que te vi e falei contigo, achando que serias um génio. Sinceramente - e a minha sinceridade não é fingida como a que redigiste no comentário - tinha-te numa conta que superava qualquer que possas ter por ti mesmo - e mal te conhecia. Julguei-te mal, e pela positiva - e doi-te ver como, uma vez caída a máscara, ninguém gostou de ver o teu verdadeiro rosto. Esse que me encara com facadinhas, ironias e sarcasmos merdosos e me dá nauseas só de lembrar. Também me doi a mim André, mas não vou louvar uma escrita vil como essa tua - repugna-me a tua falta de chá.

    Sabes André? Não é aí (ou aqui) que reside a sabedoria - vê se te orientas rapaz.

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  7. Um detalhe apenas: curioso como, não conhecendo tal besta minimamente, julgas que lhe caiu a máscara: nunca usei máscara e o meu rosto (mais barba menos barba) é o mesmo. Julgaste-me, e como dizes, julgaste-me mal, e julgaste-me sem instrumentos para isso, dona Juíza. E circulando-me nas palavras, não me dói, tenho dó. Diferente. E que coisa pensar-me um génio, lamento desiludir-te, sou só carne, nunca passarei disso. Nunca te julguei um génio - pensei-te sensata, e estava evidentemente errado.
    Escrita vil? Como me disse certa moça tua conhecida, é só um intensificar de um sentimento, é escrita criativa, logo o recorrer a recursos estilísticos não é de todo despropositado.
    Último chá, já muito aguado. Que seja muito feliz, Joana Mendes, e que tenha muita sorte em não encontrar bestas como eu - sim, pessoal, sou eu (não é que não o soubessem).

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  8. André, vieste, mais uma vez, perder o teu tempo.
    Um detalhe apenas: arranja que fazer e começa por fechar esta janela - ali na cruzinha do canto superior direito :)

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