Combinamos continuar amigos, quando não percebemos que não há acordos do coração. Tomávamos cafés à noite, como tantas outras vezes tomávamos, e até nos demorávamos no abraço sem achar estranho. Combinamos tomar cafés à noite e abraçávamo-nos demoradamente, quando não soubemos que não há negociações do peito.
Hoje vi-te, meu amigo. Entrei de relance na loja onde te encontravas de costas para a entrada, vasculhando etiquetas das calças de ganga – assustavam-te os preços. Meu amigo, eu hoje vi-te. Entrei de relance na loja onde te encontravas e de relance porque me vim embora num ápice. Não me demorei como quando te abraço e desconheço como te reconheci assim, de relance. Apercebi-me que não levo tempo nenhum a identificar que aquelas costas eram as tuas, um V largo que acaba em duas pernas ilustres e altas, o cabelo era o teu, ainda forte como campos de trigo em tempo de colheita, e que as tuas mãos largas volviam etiquetas; e dei-me conta do tempo que levo a sarar, assustei-me como tu te sobressaltaste com os preços. Estou apaixonada por ti e não sei ser tua amiga enquanto isso. Oh, isso!, percebo-o agora, sei-o.
Não há acordos do coração, negociações do peito. E a amizade não mora aqui, que o amor é egoísta, gordo e determinante e não cede lugar.
Hoje vi-te e fugi de ti - vou levar tempo a sarar.
Hoje vi-te, meu amigo. Entrei de relance na loja onde te encontravas de costas para a entrada, vasculhando etiquetas das calças de ganga – assustavam-te os preços. Meu amigo, eu hoje vi-te. Entrei de relance na loja onde te encontravas e de relance porque me vim embora num ápice. Não me demorei como quando te abraço e desconheço como te reconheci assim, de relance. Apercebi-me que não levo tempo nenhum a identificar que aquelas costas eram as tuas, um V largo que acaba em duas pernas ilustres e altas, o cabelo era o teu, ainda forte como campos de trigo em tempo de colheita, e que as tuas mãos largas volviam etiquetas; e dei-me conta do tempo que levo a sarar, assustei-me como tu te sobressaltaste com os preços. Estou apaixonada por ti e não sei ser tua amiga enquanto isso. Oh, isso!, percebo-o agora, sei-o.
Não há acordos do coração, negociações do peito. E a amizade não mora aqui, que o amor é egoísta, gordo e determinante e não cede lugar.
Hoje vi-te e fugi de ti - vou levar tempo a sarar.

E a amizade não mora aqui, que o amor é egoísta, gordo e determinante e não cede lugar. Oh se é egoísta!
ResponderExcluirEu gostava muito de poder sarar o teu peito, mas a única coisa que posso fazer é esperar do teu lado, esperar que o meu peito sare também.
amo-te mãe, *
não percebemos que não há acordos do coração. (as vezes temos que nos relembrar umas as outras disso...)
ResponderExcluireu abraço-te, porque é a unica coisa que posso fazer neste momento.
Eu diria que a amizade vive vem com o amor, o amor não vive bem como a amizade. O amor é egoísta, quer o coração todo para ele.
ResponderExcluirPerfeito.
ResponderExcluirEntendo-te tão bem...
http://escritoemlaranja.blogspot.com
Compreendo tão bem.
ResponderExcluirNão há lugar para a amizade quando o amor reina.
Vai levar tempo a sarar. E o coração abrirá em feridas a cada reencontro. E o corpo sangrará com a saudade dos abraços demorados e dos cafés à noite.
ResponderExcluirOh, mas quando sarar, Joaninha, o amor vai deixar de ser egoísta, gordo e determinante. Vai ceder lugar. E poderás entrar em lojas, sabendo que a única coisa que te assustará será o preço, quando as tuas mãos volverem etiquetas. Será tudo mais fácil, então.
Por agora, vamo-nos tornando imunes à doença a que chamamos "amar". Vamo-nos tornando mais fortes com cada ferida, com cada prova.
(Sabia que escreverias.)
<3
"E a amizade não mora aqui, que o amor é egoísta, gordo e determinante e não cede lugar." - Joana, espero que tenhas a noção de que esta frase é absolutamente de génio!!
ResponderExcluirUm ÓPTIMO texto, como sempre!
Nunca há amizade pura quando alguém quer mais do que isso mesmo.
Beijinho enorme <3
quando se acabam as negociações parte-se para os ultimatos... a indefinição é que não pode continuar.
ResponderExcluirhá feridas que ardem e que não consigo entender; invejosas.
ResponderExcluiradoreii, nao tenho palavras!
ResponderExcluirEu sei o que isso é, mas dar tempo ao tempo é sempre a melhor solução :)
ResponderExcluirAdorei o texto :D
Beijinhoo *
É bastante complicado, ainda hoje vivo issoo...
ResponderExcluirNão se consegue separar sentimentos, e amizade vai demorar algum tempo a sobrepor-se ao amor... hà coisas que nao se explicam, sentem-se, e como eu digo sempre o amor nao tem sentido nao tem explicação:S
Beijinhos*
identifiquei-me muito com este teu texto Joana:)
ResponderExcluir«E a amizade não mora aqui, que o amor é egoísta, gordo e determinante e não cede lugar.
ResponderExcluirHoje vi-te e fugi de ti - vou levar tempo a sarar.»
Identifico-me muito. Por muito que queiramos a treta do amigo já não enrola ninguém.
Ohhh como isto é verdade! Amor é um sentimento dificil de conciliar com tantos outros! Não há mesmo "acordos do coração", como dizes.
ResponderExcluirGostei (:
*
Já tive uma ferida dessas..mas felizmente sarou..com o tempo, claro!*
ResponderExcluirBeijo