domingo, 5 de abril de 2009

Contas feitas.

Consigo imaginar-te de guitarra ao colo, cantando baixinho músicas que em tempos te guiaram os dias felizes - porque os houve, em tempos.
Consigo imaginar-te de guitarra ao colo, de sonhos no regaço. No fim do dia, contas feitas, é só isso que te resta, a tua estúpida guitarra e as tuas fantasias absurdas.
Consigo imaginar-te agora mesmo e tenho pena - mais por mim, que perco tempo imaginando-te.

Conseguia imaginar-te meu amigo, em tempos. No fim do dia, contas feitas, nunca o foste.
Devia à minha consciência conseguir dizer isto - escrevi-o para que o vejas também. Mais a mais, a ver se o sentes - perco tempo imaginando que te vais importar minimamente com o meu descargo de consciência.
Sente-a, à solidão. Pega, então, na guitarra e canta baixinho qualquer hino triste. Sonha lá, é o que te sobra.

11 comentários:

  1. Joana Éme. diz:
    vou ser vagabunda e vir embora sem olhar o que deixei.

    Porque, contas feitas, nunca vale a pena o tempo que perdemos imaginando.



    Gosto de ti, Joana Éme, verdadeiramente '$

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  2. Consigo imaginar-te agora mesmo e tenho pena - mais por mim, que perco tempo imaginando-te.



    Espero sinceramente um dia ler um livro teu!

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  3. O final! Lá no fundo perdemos sempre tempo a pensar em quem nos magoou mas cativou *
    (vou comentar o debaixo)

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  4. Que bonito Joana. Gostei mesmo muito:)

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  5. Há uma fala do "Hercules" (sabes?) que nunca percebi muito bem:
    - Os sonhos são para os caloiros.

    E esta?

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  6. Não é simpatía nem exagero. Há muita gente por aí com livros editados que não têm o mínimo sentido de escrita. Eu admiro muito a tua.
    ^.^

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  7. Antes de gostarmos de outra pessoa, temos de gostar de nós. Mesmo que gostes dessa pessoas, ela faz-te mal, não merece que desperdices tempo com ela :)

    Falando no tal livro, também querooo *.*

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  8. Se ainda restam sonhos, poderei dizer, ainda resta bastante.

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  9. «(...) perco tempo imaginando que te vais importar minimamente com o meu descargo de consciência».

    Acho que quase todos nós que escrevemos, bem lá no fundo, temos essa esperança e gostamos de nos agarrar a essa expectativa mesmo que, bem bem lá no fundo, saibamos que se trata de uma espécie de terapia e que não passa disso mesmo, de uma falsa esperança; de uma expectativa vã.

    Gostei muito, um beijinho *

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  10. Muitooo bommm (:

    Imaginação e sonhos, em grandes quantidades, tornam-se traiçoeiros!

    *

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  11. No final de contas, a grande guitarra da vida toca também grandes hinos de ilusão.

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