A casa quieta cheira a resina. O bafio da tua ausência parece deixar um rasto de podridão nos móveis, um pasmacento estado de bolor que embrenha o ar. Parece deserta, a casa quieta cheirando a resina - talvez seja dos móveis e o bolor da tua ausência. Respiro como quem nada, goles sôfregos num ar pesado, embrenhado numa lama pasmacenta que julgo até beber, pelas narinas já cansadas. Sou um rasto de podridão da tua ausência, como musgo que se deixa languir, já cansado. Não quero abrir a porta do quarto e ouvi-la ranger, como um gemido suplico e último, temendo ver-te jazido morto na cama.
Vem podar a lama que se embrenha em mim como bolor no ar pesado, fluido já como água. Respiro como quem se afoga, goles sôfregos na tua ausência, rasto como musgo lânguido e cansado. A casa está quieta e cheira a resina. O ar é pesado e lembra água lamacenta, fluido e resinado. Talvez seja só dos móveis e eu esteja a ver a tua ausência em todo o lado.
Vem podar a lama que se embrenha em mim como bolor no ar pesado, fluido já como água. Respiro como quem se afoga, goles sôfregos na tua ausência, rasto como musgo lânguido e cansado. A casa está quieta e cheira a resina. O ar é pesado e lembra água lamacenta, fluido e resinado. Talvez seja só dos móveis e eu esteja a ver a tua ausência em todo o lado.

Eu não digo nada para não me repetir :)brilhante.
ResponderExcluirÉ, sem qualquer dúvida, um dos melhores finais que já li.
ResponderExcluirGosto muito do texto. Melancólico, com uma apatia dissimulada mas extremament expressivo.
ResponderExcluirEscreves maravilhosamente bem! :)
eu cá venho ler todos os dias!
o texto está lindo, a forma como puseste a ausência em objectos, como tudo parece perder o valor nesse momentos. adorei, está excelente.
ResponderExcluir(além de ter provado que estás mesmo apanhadinha :D)
Não quero que vejas a ausência de ninguém, mãe.
ResponderExcluirEu nunca vejo a tua, estás sempre comigo :)
beijinho mãe, *
intenso *
ResponderExcluirFantástico blog, em todos os sentidos.
ResponderExcluirE as imagens são excepcionais.
parabéns (:
acho que intenso é a palavra.
ResponderExcluirlindo, está tão sentido :D
ResponderExcluirAi Joana ! Ai Joana, Joana ! Superas-te a cada texto.
ResponderExcluirDevoro cada palavra com a intensidade com as escreves. Leio cada adjectivo com uma força crescente que vem de cá de dentro, porque sei que os escreves daí - de um fundo, às vezes, grande de mais.
Estou cansada desta ausência, também, demasiado fria, podre. Estou farta da casa quieta, quase morta. Estou farta que não parecer (não ser) ninguém.
Mas talvez seja só mesmo dos móveis, querida. Vamos acreditar.
Meu bem, *
fg..mesmo lindo :')
ResponderExcluirBeijo *
Maravilhoso.
ResponderExcluiré que já nem digo nada.
ResponderExcluire o final, brilhante:)