Falamos sobre mobília com a seriedade de quem escolhe nomes para os filhos. Imagina o que diriam se lhe chamássemos Morgado, não amor, isso é apelido. Cama redonda? Nem pensar, eu não quero dormir em pi érres ao quadrado. Faço figas para que pelo menos não peças um colchão de água, como se temesse que quisesses chamar a um futuro filho nosso Morgado. Perguntas-me E então cores, e eu sorrio por já ter tudo pensado. Na minha cabeça, a sala será em tons acastanhados e esverdeados, como os nossos olhos e a Terra que nos viu nascer, crescer e amar. Falas-me do preto e do branco, visiono uma fotografia nossa em ponto grande assim, nesse preto e branco que esperas para minha visionária sala castanha e verde. Faço figas para que me oiças enquanto te explico a classe e o gosto de cores térreas, a elegância de um lar em tons quentes. Gesticulas como se moscas afugentasses, a cama será redonda e assustará os vizinhos que nos visitem como se disséssemos que o nosso rebento se chama Morgado. Folheio catálogos sem te ouvir explicar-me a classe e o gosto de abrirmos um bar. Está bem, abriremos um bar, mas um enfiado na livraria que vamos abrir primeiro. Cheirará sempre a livros e a chocolate quente. Torces o nariz aos livros e trincas o lábio inferior ao chocolate quente. Esqueces os meus devaneios que espantas como a moscas e caminhas seguro na minha direcção. Vens dar-me um beijinho na testa, fechar-me os catálogos entre as mãos. Treparão, essas minhas mãos sempre frias, pelo teu pescoço e trincar-te-ei o lábio superior. Deitamo-nos no chão, despes-me a roupa com cuidado e demoro-me na tua. Há uma aura que emana deste teu corpo e divinizo-te em cada ofegante beijo, fecho os olhos aos teus verdes e amo-te sem te ver. Nunca te pronunciei os votos que me rezam dias como este, que se deita connosco no chão e fecha os olhos porque ama sem ver. Cegamente, votos que me rezam noites como as que partilharemos entre camas redondas e rebentos com nomes próprios como se de apelido.
Nunca te disse, mas vou estar sempre em casa. Vou estar sempre em casa quando voltares do trabalho, exausto e maldisposto, gesticulando e repetindo injúrias. Estarei em casa quando me avisares que vais só levar o cão à rua, levantar as minhas blusas da lavandaria ou pôr o lixo lá fora. Estarei em casa quando me quiseres tua, no chão frio, e me falares em termos uma cama rectangular, como toda a gente. Estarei em casa quando não quiseres ser como toda a gente e comprares um colchão de água só para me veres arreliada. Encontrar-me-ás em casa quando me surpreenderes com o pequeno-almoço na cama e quando bateres portas porque venho exausta e maldisposta do trabalho. Vou estar em casa quando te fizer o jantar e me chamarem de urgência para o trabalho. Vou estar em casa quando for trabalhar e fechar os olhos. Amar-te-ei sem precisar de te ver e será sempre casa onde te tiver comigo. E estarás sempre. Porque amor é amor em todos os lugares, em todas as coisas. Vou estar sempre em casa até quando lá não estiver. Agora tem-me, tua, no chão da noite que nos reza votos que não preciso falar porque tos beijo, talvez um dia tos explique com classe e gosto.
Nunca te disse, mas vou estar sempre em casa. Vou estar sempre em casa quando voltares do trabalho, exausto e maldisposto, gesticulando e repetindo injúrias. Estarei em casa quando me avisares que vais só levar o cão à rua, levantar as minhas blusas da lavandaria ou pôr o lixo lá fora. Estarei em casa quando me quiseres tua, no chão frio, e me falares em termos uma cama rectangular, como toda a gente. Estarei em casa quando não quiseres ser como toda a gente e comprares um colchão de água só para me veres arreliada. Encontrar-me-ás em casa quando me surpreenderes com o pequeno-almoço na cama e quando bateres portas porque venho exausta e maldisposta do trabalho. Vou estar em casa quando te fizer o jantar e me chamarem de urgência para o trabalho. Vou estar em casa quando for trabalhar e fechar os olhos. Amar-te-ei sem precisar de te ver e será sempre casa onde te tiver comigo. E estarás sempre. Porque amor é amor em todos os lugares, em todas as coisas. Vou estar sempre em casa até quando lá não estiver. Agora tem-me, tua, no chão da noite que nos reza votos que não preciso falar porque tos beijo, talvez um dia tos explique com classe e gosto.

Joana, fenomenal, divino, perfeito. Queria dizer mais, mas não sei, porque este texto diz tudo.
ResponderExcluir*.* texto digno. palavras dignas, amor digno.
(quero viver um amor como o teu - um amor $$)
ResponderExcluirVejo-vos em debates sobre as cores das divisões, a forma dos móveis, o nome do rebento (voto contra Morgado xD), acreditas? :D
ResponderExcluirE acho-vos perfeitos, juntos.
veio a calhar este texto. Eu visualizei. Se visualizei é porque deve existir, certo?
ResponderExcluira TUA capacidade de escrita continua a arrepiar-me *
não é só à Tani que a tua escrita arrepia, a mim também.
ResponderExcluiré uma expressivida que me atormenta e que me traz alegrias também. poucas mas até traz.
E arrepiados já vão 3 :') Esse teu talento é, de facto, magnífico :D *
ResponderExcluirnao combina? eu cá, adoro!
ResponderExcluire tabaco e essa tua escrita? tshiiii, isso entao :p
Vi a cena toda e parece-me um filme de primeira categoria! Adorei especialmente da parte dons tons da casa.
ResponderExcluirÉ bom voltar a ler-te! :p *
Estou de queixo caído. :o
ResponderExcluirAntes todos tivessem um amor assim.
adorei, adorei, adorei! já estava com saudades que escrevesses estas coisas assim, que me fazem visualizar um futuro em que estás feliz com alguém que amas, a sério. :)
ResponderExcluiramo-te Jo. *
nada a dizer :D
ResponderExcluirestás noutro universo, completamente
As tuas palavras transpiram amor em todas as cores.
ResponderExcluirGostei tanto tanto tanto, Joana! A tua capacidade de pores essa intensidade em cada gesto em cada palavra que tão bem descreves quase me deixa sem ar *
ResponderExcluiré um amor tão bonito, tão amor : )
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