Deitam-se lado a lado, embrulham pernas em pernas e braços em abraços. Tocam-se narizes e bocas, sorvendo um amor que, porque se sabe de cor, é cego e completo. Amor que o seja é assim, pernas em pernas e braços em abraços. Narizes e bocas, sorvendo beijos longos na noite que atenta no pulsar de um amor que, porque o é, é cego e completo. Prometem-se um ao outro, num compromisso que não querem ver cessar, organizam um comício de carícias que não querem ver terminadas e saúdam a noite entre paixões e pernas embrulhadas em pernas. Corpos nus bailando, de cor e amor, entre lençóis brancos, lençóis cheirando ainda a vapor do ferro quente. O vapor dos corpos que bailam ancas em ancas, pernas em pernas. De olhos fechados, porque o amor é cego, beijam-se longa e ternamente, completam juras e compromissos que não querem ver mortos, porque o amor é completo e vive. No quarto onde os lençóis são brancos e cheiram ainda a vapor do ferro quente, os corpos mornos. O deles, que se deitam com o fervor de mil e uma noites e a timidez da primeira. Vão sussurrar segredos à noite que os testemunha e baptiza, a noite que abençoa o amor que sorvem dos pulsos, do peito. Ouvem o coração nos ouvidos, parece palpitar nos tímpanos, com o fervor de mil e uma noites e a timidez da primeira. Talvez seja das palavras que troquem, entre sílabas quentes e corpos nus mornos.
Vão acordar cedo, deixar que a manhã lhes acaricie a lembrança de (mais) uma noite abençoada. Reza a história que ela não acordou com o despertador, ele não quis soltar-se do corpo dela para o calar e afagou-lhe o cabelo ternamente, até sob aquele irritante trrrrrrrreiiiiiiiiiim do relógio de mesa. Reza a lenda que quando ela acordou estava cega, de um amor completo e vivo, e que não teve medo. Então, ele beijou-lhe os olhos, pálpebras cansadas do fervor de mil e uma noites e ainda tímidas como na primeira. Tomaram banho juntos, danças que conhecem de cor porque vivem um amor histórico, um amor lendário.
Reza a história que eras ele e eu ela, cegos entre lençóis brancos e cheirando a vapor ainda, corpos em danças abençoadas e completas, vivas como o coração que nos palpitava nos ouvidos, no pulso.
Vão acordar cedo, deixar que a manhã lhes acaricie a lembrança de (mais) uma noite abençoada. Reza a história que ela não acordou com o despertador, ele não quis soltar-se do corpo dela para o calar e afagou-lhe o cabelo ternamente, até sob aquele irritante trrrrrrrreiiiiiiiiiim do relógio de mesa. Reza a lenda que quando ela acordou estava cega, de um amor completo e vivo, e que não teve medo. Então, ele beijou-lhe os olhos, pálpebras cansadas do fervor de mil e uma noites e ainda tímidas como na primeira. Tomaram banho juntos, danças que conhecem de cor porque vivem um amor histórico, um amor lendário.
Reza a história que eras ele e eu ela, cegos entre lençóis brancos e cheirando a vapor ainda, corpos em danças abençoadas e completas, vivas como o coração que nos palpitava nos ouvidos, no pulso.
O meu ainda ouve, nos tímpanos, o teu nome. No meu peito, fervoroso e tímido, ainda palpita um amor cego. Completo. Vivo.
Sim, vivo-te tanto quanto te amo.

E soube a quê?
ResponderExcluir"Sim, vivo-te tanto quanto te amo." - são as tais coisas que já não consigo perceber e me fazem confusão quando levadas a este extremo. Ando preocupado com o que vai nessa cabeça(ou coração em demasia)
ResponderExcluirTexto perfeito, simplesmente! Senti tão bem o que escreveste.
ResponderExcluirDivinal, pulsa sensações únicas.
ResponderExcluir«O deles, que se deitam com o fervor de mil e uma noites e a timidez da primeira».Descreve tão bem...
Rendi-me a este.
Nenhum, mas também tens de amar a ti próprio e tentar não esquecer que existem mais coisas por mais difícil que te custe. Tenho a sensação que já não estás tão bem quanto estavas a um tempo.
ResponderExcluirli todos os posts para trás que nao tinha visto, admiro tanto a força que tu tens mãe! *
ResponderExcluirVive pelo amor que tens por ti.
ResponderExcluirTens razão, nunca é fácil. E se estás bem, e tens boas perspectivas, só me resta desejar-te boa sorte. ;D
ResponderExcluirInvejo como tens história e lenda para contar. Invejo a tua vontade de reescrever essa tua história e reinventar uma outra lenda, a tua vontade de o amar, de o viver. Invejo o empenho em te manteres personagem e em o manteres, a ele, escritor e encenador dessa tua história e lenda.
ResponderExcluirTens um amor capaz, Joana, porque és forte e lutas por ele. Tens um amor histórico, um amor lendário, porque te dedicas com entrega à personagem que vestes, de corpo morno e peito tímido e fervoroso.
Comigo, a história tornou apenas lenda. Faz da tua um felizes para sempre cego, completo, Jo.
<3
"amo-te. e podes ter a certeza que vou aparecer sempre: prometo."
ResponderExcluirfalas-me para o coração, M. *
«Sim, vivo-te tanto quanto te amo.»
ResponderExcluirés fantástica...
"Reza a lenda que quando ela acordou estava cega, de um amor completo e vivo, e que não teve medo"
ResponderExcluirQue texto são delicioso, Joana!!! Apaixonei-me por este texto - mais um dos teus que me apaixonam. Tens magia nas palavras.
Lindo :')
ResponderExcluirEscreves tãããããão bem :D
Desculpa a invasão mas teve que ser ^^'
«Ouvem o coração nos ouvidos, parece palpitar nos tímpanos, com o fervor de mil e uma noites e a timidez da primeira.»
ResponderExcluirsão estas pequenas maravilhas que dão um enorme prazer vira cá *