Vem acordar-me como a mãe mandou, senta-se na beira da cama e empurra-me as costas. Sabe que não vou acordar facilmente, volta a fazer força nas minhas costas, enquanto me chama como a mãe mandou. Vou pedir mais uns minutinhos de sono, dormi tão mal, deixa-me ficar na cama mais um bocadinho.
Está sentado na beira da cama e olha-me calado. Sento-me no colchão duro, componho a almofada nas costas e tiro o cabelo da frente da cara. Vai começar a falar e cala-se abruptamente. Sentada quase na cabeceira da cama, espero que me pergunte o que dali está para vir. Daquela cabeça calada, perscrutando, sentada na beira da minha cama.
Olha o chão e pergunta-me como é. Como é o quê? Como é que é, tu sabes.. Amar uma pessoa. Sorrio, recostada na almofada que me tirou o sono entre lágrimas e memórias. É isso amar-se uma pessoa, noites mal dormidas, meu pequeno. Pergunta-me se é sempre mau, se é sempre como me tem visto. Tens reparado? Tem pois. Perscruta-me calado, repara na irmã que dorme mal porque chora e porque recorda. Surpreende-me e volto a sorrir, enquanto ele encara o chão calado, perscrutando. Olho-o com um carinho que ele não percebe mas que não vai perguntar como é, teria eu de lhe explicar que não era tão mais velha que ele quando o soube. O que era, amar uma pessoa.
Não vai gostar de me ver sorrir, pensado que estou a fazer troça da sua ingenuidade no que toca ao coração, ao sentimento, esse louco.
Está sentado na beira da cama e olha-me calado. Sento-me no colchão duro, componho a almofada nas costas e tiro o cabelo da frente da cara. Vai começar a falar e cala-se abruptamente. Sentada quase na cabeceira da cama, espero que me pergunte o que dali está para vir. Daquela cabeça calada, perscrutando, sentada na beira da minha cama.
Olha o chão e pergunta-me como é. Como é o quê? Como é que é, tu sabes.. Amar uma pessoa. Sorrio, recostada na almofada que me tirou o sono entre lágrimas e memórias. É isso amar-se uma pessoa, noites mal dormidas, meu pequeno. Pergunta-me se é sempre mau, se é sempre como me tem visto. Tens reparado? Tem pois. Perscruta-me calado, repara na irmã que dorme mal porque chora e porque recorda. Surpreende-me e volto a sorrir, enquanto ele encara o chão calado, perscrutando. Olho-o com um carinho que ele não percebe mas que não vai perguntar como é, teria eu de lhe explicar que não era tão mais velha que ele quando o soube. O que era, amar uma pessoa.
Não vai gostar de me ver sorrir, pensado que estou a fazer troça da sua ingenuidade no que toca ao coração, ao sentimento, esse louco.
Não tem mal não saberes já, mas eu não te posso dizer como é. Escolho palavras pausadamente, falo sem gestos e ainda sorrindo.Sabes quando vamos os dois ao cinema e eu te tento explicar o filme? Tu não gostas nada, irritas-te porque queres entender por ti, queres perceber sozinho e queres-te surpreender em cada nova cena. O amor é como um filme que vais ver sem a mana, mas podes sempre vir para a beira da minha cama e explicar-me. E fazer-me entender, também. Não é sempre como me tens visto, mas algumas vezes será, noites mal dormidas entre lágrimas e memórias. Mas acordas sorrindo, com a mana na beira da cama.
Vim só acordar-te, também.
Embevecida, aceno. Para todos os efeitos, nunca tivemos esta conversa e só me vieste chamar como a mãe mandou.

Este foi o post mais comovente - na minha opinião - que já aqui colocaste.
ResponderExcluirO teu irmão esteve muito fixe contigo. Até te pôs um sorriso em cima.
Essa explicação com o cinema está muito boa - "O amor é como um filme que vais ver sem a mana, mas podes sempre vir para a beira da minha cama e explicar-me." - como estás sempre a aprender, a tentar entender, noites mal dormidas nos piores casos, e a ajuda dum irmão que nos vai acordar à cama mesmo que não queiramos. No final, vai-se embora, estamos acordados e prontos para o que aí vêm - "Para todos os efeitos, nunca tivemos esta conversa e só me vieste chamar como a mãe mandou."
(embevecido, também te aceno :D)
Fiquei mesmo comovida a ler este post (:
ResponderExcluirQue sorte que tu tens em ter este irmão especial!
Um dos teus melhores posts desde que acompanho o eu blog. Joana, tou a ficar fã e viciado neste espacinho. -.-
ResponderExcluirTens sorte em ter um irmão assim. :)
Beijinho*
ahah Pode ser. Obrigado. :D
ResponderExcluirBeijinho*
Conversas telepáticas! Para quê palavras, se se entendem sem falar? :)
ResponderExcluirÉs uma boa mana, JO. *
O amor não se explica.
ResponderExcluirQuanto a preservativos, umas aulinhas da mãe já são bem vinda (a) *
Sabes uma coisa, Jo? Quando me ligas e eu atendo com uma voz apática e sumida, é porque fico ocupada com o sorriso que me deixa nos lábios ver o teu nome a piscar no meu telemnóvel '$
ResponderExcluir<3
Guarda bem esse carinho entre voces! Não o deixes fugir, NUNCA! nada é mais importante do que saber-mos que vai estar sempre lá para nos acordar tal como a mãe mandou !
ResponderExcluirP.S.: desculpa pela invasão!
Gostava de ter tido um irmão como o teu ...
ResponderExcluirmas os meus, são todos mais velhos - e eu, nunca tive coragem para me aproximar deles, desse modo :(
É bom, quando dois (ou mais) irmãos, se dão como neste texto...
Não deixes que seja preciso a distância (física) chegar, para lembrar que existe uma amizade, tão possível, como outra qualquer...
E não deixes que a constante presença (física) vos afaste, e se torne numa 'presença distante'. . .
Na minha experiência, "irmão, é o mesmo que confusão" lol, mas é bom saber que ele existe!
*As melhores felicidades. . .
:) só posso dizer que adoro a emoção com que escreves
ResponderExcluire este texto deixou-me completamente rendida
Beijinho Joana Éme:)
Anónimo, podias assinar..
ResponderExcluirNão tenho irmãos
ResponderExcluir:(