Questiono-me se alguém te contou essas coisas que falas. Pergunto-me se te terão dito que eu gosto dessas coisas que falas, para que pense como somos parecidos, enquanto contas essas coisas que falas. Tenho esta mania de divagar, enquanto te escuto. Não é que não te preste atenção, é que sou distraída por natureza. Por natureza, também, sempre gostei de arquitectos, engenheiros. O plano de uma qualquer casa numa folha do tamanho de uma pessoa, enrolado num tubo de guardar tacos de bilhar sempre teve, a meu ver, classe. Qualquer ser que domine essa arte da geometria descritiva tem, a meu ver, um cérebro de louvar. O que foi que disseste agora? Desculpa, estava a pensar como se pega direito num esquadro, o meu cérebro coitado.. Diz? Gostas muito de arquitectura? És louco por arquitectura? Estou a ver.. Questiono-me se alguém te contou essas coisas que falas, que admiro e que nunca te disse eu. Não me vou pôr a divagar, mas a cultura é um ponto muito importante nas relações. Não te disse? Eu acho que é. Uma conversa não tem sumo sem cultura. E depois, que coisas novas traria eu à tua vida se não te contasse o que acho do cinema, do teatro ou do museu do carro eléctrico? Gosto muito, se nunca te disse. És viajado e trazes na pele recordações como recortes, carimbos de uma vida sem fronteiras. Gosto muito de falar sobre o mundo. Uma vez fui a Florença e beijei a arte com o rosto, porque lá toda a brisa é fresca e artística. Vêem-se miúdos a correr e motoretas e pessoas a fazer de conta que são estátuas, pessoas a fazer de conta que são turistas. Pessoas a fazer de conta que são almas gémeas, também, mas mais em Veneza, já não gostei tanto. Fala-me de sítios que tenhas beijado como a um rosto, também. Falas e, sem te dizer, abismo com o quão somos parecidos. Diria que gostas de arquitectas, pessoas que fazem de conta que são estátuas e pessoas que fazem de conta que são almas gémeas. Podíamos sê-lo, também. Penso muito nisso, divagando enquanto me falas. Não é que não te preste atenção, gosto muito de te ouvir. Trazes sumo à minha vida, como um carimbo na minha pele, mas tenho esta mania de divagar enquanto te escuto. É que sou distraída por natureza e nunca tinha conhecido, beijado como a um rosto, alguém capaz de falar por mim. É isso, falas por mim e questiono-me se alguém te contou essas coisas que falas e que admiro, venero e gosto muito. Talvez para que pense como somos parecidos, porque o somos. Talvez a Joana, penso.
terça-feira, 9 de junho de 2009
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A Joana nunca disse nada, *promete*.
ResponderExcluirE essas parecenças são genuínas e verdadeiras - de louvar e admirar.
Gosto de vos imaginar, sabem? x)
*
Ai falas no plurar e tudo (a)
ResponderExcluirEu gosto é de ti, sabes?
Um dia ainda vou escrever com a mesma beleza que escreves :P
ResponderExcluirBeijinho
Oh, meu bem, e eu de ti (:
ResponderExcluirAlguém que, como tu, domine essa arte de equilibrar as palavras e fazê-las dançar, tem, a meu ver, uma arte, uma sensibilidade de louvar.
ResponderExcluirahahaha é provável! combinamos um encontro os tres e resolvemos as teimas
ResponderExcluir"É isso, falas por mim e questiono-me se alguém te contou essas coisas que falas e que admiro, venero e gosto muito." - muito deve ter sido a observar-te e a falar contigo, por isso conhece-te. Tal como tu em Florença a beijar a arte.
ResponderExcluir« Uma vez fui a Florença e beijei a arte com o rosto, porque lá toda a brisa é fresca e artística.»
ResponderExcluirtens destas frases...
chorei ao ler isto, porque a mistura da beleza da tua escrita e o facto de me ver tanto aqui, foram muito fortes. e obrigada, porque me fizeste ver muito.
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