quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Fumar mata. Viver também.

Voltei a fumar desde que partiste, só porque sei que não gostas do sabor quente a nicotina nos meus lábios. Acalmou-me acender o cigarro, segura-lo entre dedos e ver o fumo escapar-me da boca para o ar frio de Fevereiro, como me costumava serenar a tua respiração perto do meu pescoço. Ar quente que te escapava da boca para a minha pele de Agosto. Rendi-me a este velho hábito para me tornar numa pessoa que não conheças e me definir para lá da saudade que te tenho. Tem de haver um remédio, tem de existir uma solução. Talvez seja esta falsa sensação de paz ao acender um cigarro sob a cidade, sabendo que haverias de sentir repulsa da minha língua. Agora tens um motivo para não mais me beijares, assim há justificação para não mais quereres. Enquanto avisto a cidade agitada e dou voltas às adormecidas memórias que ainda guardo de ti, pergunto-me se também pausas para pensar em mim. Ou no que te podes lembrar de mim, porque hoje me sinto outra mulher. O tabaco silva-me os avisos de "isto vai-te matar" que sempre me vociferaste, mas respondo-lhe entre dentes que quem me matou foste tu e a tua falsa sensação de amor.

10 comentários:

  1. Adoro a forma como escreves! És muito sincera, mas ao mesmo tempo discreta e subtil!

    Parabéns* Beijinho

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  2. adorei. aliás como sempre!

    E se há paz em ti ao acender o cigarro sob a cidade. então fá-lo! até que a paz venha por si só. sem o cigarro.

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  3. De repente parecia que me estava a ler...incrível como sinto exactamente aquilo que escreveste! Apenas não vou voltar a fumar, apesar de me apetecer!

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  4. «O tabaco silva-me os avisos de "isto vai-te matar" que sempre me vociferaste, mas respondo-lhe entre dentes que quem me matou foste tu e a tua falsa sensação de amor.» e está tudo dito.

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