Pela Primavera mostrei-lhe a minha pele. Vestiu-a e possuiu-me com decor e elegância. Teve-me debaixo das suas unhas e sob os seus dentes. O meu pescoço enamorou-se da sua língua e da sua doce saliva. Segurava-me pelas coxas e por muitas vezes me gemeu pedidos austeros. Enebriadas noites em que as suas ancas com as minhas disputavam um lugar cativo perto da lua. Abria muito os olhos e da sua boca ofegava um cocktail de prazer e de dor. O veneno dilacerante de quando não os sabemos mais distinguir. Contou-me os poros com carnudos beijos e guiou-me os sonhos pelos mapas de estrelas que dos seus olhos caíram. Cascada de brilho sob o meu peito nu. Chamou-me de Amor por julgar que Amor lhe fui. No virar da estação haveria de me chamar ladra, por ladra lhe ter sido. Trouxe nos meus bolsos os seus olhos, temendo ver-me perdida na solidão escura, e na palma da minha mão o travo quente do fundo da sua barriga, do seu ventre pulsando o veneno dilacerante a que chamou de paixão.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
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Esse veneno dilacerante :) *
ResponderExcluirlindooooooooooo Joana! mais que brilhante *
ResponderExcluirNem sei o que dizer...
ResponderExcluirDeixas-me sempre sem palavras.
És mais do que especial e eu bebo-te as palavras*
Apaixonante*