Há este travo adocicado na minha boca, como se tivesse mergulhado horas a minha língua num púcaro cheio de açúcar. Tórrida, doce boca.
Latejam-me os lábios e ardem-me os olhos, como se todo o meu corpo quisesse expressar este mal-estar que me consome. Tremem-me as mãos, fraquejam-me as pernas e a respiração é rápida e pesada como um comboio em marcha.
Há este desejo no meu peito, como se tivesse mergulhado horas a minha pele na tua. Adocicado esse veludo que te cobre os poros em carne malte e que me condena a esta inquietação permanente pela falta.
Poderia embrulhar o teu nome neste açúcar que me enche a boca e devorar-te as iniciais neste desejo ávido, mas a minha língua está presa no teu silêncio.

Normalmente também o faço mas neste caso era uma irritação demasiado explosiva para ser poder.
ResponderExcluirCurioso como sentimos o mesmo travo adocicado de silêncios presos.
descreves tão bem as sensações d'alguém apaixonado, que só de ler dá vontade de as sentirmos :) *
ResponderExcluirliberta-te do silêncio. fá-lo tranquilo. (:
ResponderExcluirQue prazer ler e reler-te, Joana.
ResponderExcluirIncrível a tua descrição. E também incrível não se ser capaz de quebrar tal silêncio, mesmo sendo isso tão apetecível. Seria como fazer desaparecer uma barragem dum momento para o outro e apesar de toda a água que nos bate mantermo-nos em pé, por haver esse desejo que suplanta tudo o resto. Totalmente irracional. Pelo menos é opinião de quem também se esconde por detrás dum silêncio.
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