quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Noites de amor e de jazz.

Faço-te o jantar, não ficou grande prato e ainda assim pouco deixas ficar. És fácil de contentar, meu pobrezinho. Passas a língua nos lábios rosados de quando em quando, talvez tenha abusado do piripiri. Vais levar-me a um novo club no centro da cidade não tarda e recusas-te a dizer-me qual. Tu e os teus mistérios. O teu carro envernizado de um preto igual ao dos meus sapatos altos espera-nos, adormecido. Há uma encantadora descontracção na forma como conduzes, as tuas bonitas mãos deslizam pelo volante como se fosse coisa simples. Estacionas numa rua sem saída, eu conheço este sítio. Procuro algum folheto que te denuncie a surpresa. Há numa porta umas imagens como antigamente, e um nome que brilha ao longe. Sorrio com malicia:
- Jazz.
Demoro-me nas sílabas, quero reconhecer a tua sabedoria com o merecido tempo. Oh, que tiro certeiro, meu bom rapaz.
Nessa noite as tuas bonitas mãos deslizariam pelo meu corpo como se fosse coisa simples, isto do amor. E eu iria jurar que conheço este sítio, mas não há folhetos que o denunciem. Imagens como as de antigamente, já nem as procuro - há aqui um preto verniz que me encanta o peito em palavras apimentadas. Tu e as tuas palavras. Passo a língua nos lábios rosados de quando em quando, abusaste do piripiri.

9 comentários:

  1. Está simplesmente das coisas mais maravilhosas que já li, de verdade Joana *

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  2. :):):):) adorei saber que o teu coração está novamente cheio de coisas boas.

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  3. Sabe mesmo bem quando ao lermos alguma coisa, essa coisa nos faz ter determinada sensação. Acho que isso só acontece quando a as coisas são escritas com sentimento e, principalmente com genuinidade. Parabéns!

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