sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Esperar-te.

Passo o dia atarefada. Caminho como se determinada, enfrento o dia como se concentrada. Sorrio, fere-me os lábios o fingimento que digo ser cieiro. Cai o sol, leva a tarde consigo. As horas, languidas, demoram-se e um dos ponteiros do meu relógio de pulso adormeceu nas e vinte. Talvez também elas te procurem, as horas, fingindo-se atarefadas. Podia jurar que te ouvi chegar no alpendre, debrucei-me no varandim para melhor te procurar. Estarias a dois degraus de mim, poderia jurar.
Não eras tu, se é que chegou a ser alguém sequer. Ia jurar que ouvira o ranger da madeira crua sob os teus alegres passos. Guardo a jura no peito, onde sempre chegas a horas e com um beijo na testa que me serene o pensamento e me acalme da espera. Mais nada te posso pedir senão isto: Quando voltares traz a noite contigo, porque sempre foi o nosso palco de eleição. Até lá fingirei não ouvir a madeira chorar a tua ausência, quebrando em rugidos de dor em meu nome.

6 comentários:

  1. esperamos tantas vezes em vão..

    Joana, fantástica como sempre :') *

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  2. Já te leio há algum tempo e tenho a dizer-te que a tua escrita é simplesmente fantástica.

    :)

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  3. esperar compensa. depende do chão, dos corsções, mas compensa.

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  4. "Passo o dia atarefada. Caminho como se determinada, enfrento o dia como se concentrada. Sorrio, fere-me os lábios o fingimento que digo ser cieiro"


    tal e qual eu.

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  5. Não me canso de o ler. Acho fantástico a forma como consegues pôr tudo em palavras. Parabéns, sinceros!

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