Não sei quem é esta sujeita, que veste as minhas roupas e usa o meu perfume. Não sei quem esta mulher que finge não ter frio quando treme e que espera as tuas palavras como se fizesse alguma diferença aquilo que tens para dizer. Gostava de a poder chamar à razão, com um ó-menina-olhe-que-o-mundo-vive-se-cá-em-baixo, pedir-lhe que tire a cabecinha dura lá das suas ilusões e fantasias, mas não parece ouvir-me. Há muito que perdera a razão, ao que parece tem um coração muito grande, tão grande que lhe enche os ouvidos até cá cima. Tem dias em que me sinto na sua pele, outros que nem tanto. Dias em que te vê nas fotografias que não tem coragem para arrumar na gaveta a que pertences, um passado bonito que não deixa, ainda assim, de o ser - passado. Passeia-te na carteira, mostra-te aos amigos com um orgulho incompreensível. Afinal, ninguém te viu por cá e não ficaste assim tão favorecido. Outros dias tem, em que se recusa a entrar no metro, desejando que estejas apenas retido no trânsito mundano das ruas húmidas e que desças não tarda, sabendo que não vais descer. Tem o cabelo muito encaracolado como o meu e ultimamente prende-o no cimo da cabeça para se lembrar de que ainda tem rosto, mesmo sem sorriso que nele more. Não sei quem é esta mulher que, neste corpo que é o meu, precisa de ganchos no cabelo para se lembrar de que é alguém, mesmo que não saiba ao certo quem.
A cidade guarda muitas histórias tristes. Mas o meu coração vive na maior delas todas. Afinal, há muito que perdera a razão. Com ela, o Amor. E nada mais existiu.


Se tu alguma vez perdesses a capacidade de amar, tu que és das pessoas mais entregues a essa acção tão nobre que se possa encontrar, que sempre lutaste para o sentir e fazer sentir, se alguma vez uma pessoa tão grande como tu perdesse esse espírito então aí sim podia dizer que o mundo estaria completamente perdido, e os gestos banais e simples de bondade que já agora são raros de enontrar em cidades e não só, desapareciam por completo. Nunca desistas de tentar viver o que sonhas Joana, se desistires então sim será quase ímpossível. *
ResponderExcluirA razão é sobretudo usada por quem não sente Amor, para tentar justificar algo que tentam a todo o custo acreditar.
simplesmente fantástico, adorei =)
ResponderExcluiro Nuno R disse tudo :)
ResponderExcluirgostei especialmente quando ele diz "a razão é sobretudo usada por quem não sente Amor, para tentar justificar algo que tentam a todo o custo acreditar." porque concordo sinceramente com estas palavras.
Joana, o amor é o melhor que a vida tem. mesmo que às vezes pareça o contrário, é. continua a sonhar que isso também é fundamental na vida! *
:') Gosto de ti Joana Éme
ResponderExcluirgostei :)
ResponderExcluireu acho que se alguma vez perderes a razão, és daquelas a que o Amor, pelo menos o teu, nunca deixa.
ResponderExcluirParabéns!É um texto fabuloso.Que me faz sentir.
ResponderExcluirobg.
um bjo
Parabéns ! Texto fantástico mesmooooo.
ResponderExcluirAdorei :P
Most of the times, we feel like us and it tastes so good.. Mas há alturas em q não. E nessas alturas é necessário uma conversa, cara-a-cara, ao espelho, conosco mesmas. Quando isso não resulta, andamos por aí e eventualmente reencontramo-nos. Apetece-me ler-te feliz, Joana Éme.
ResponderExcluirE sorri ao ler a tua descrição do perfil. Tive uma semelhante (senão a mesma) durante um tempo. =) Qual é a graça de ser bom do juízo, anyway?!