segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Queres saber como é?

Pois é de loucos e é doentio. É contar a toda a gente que o teu riso é cheio e o teu beijo é tudo. É não me importar que ninguém oiça, é bastar-me sabe-lo. É atirar-me de uma ponte e rezar para que não me aleije, sabendo que me vou aleijar. É sentir cá dentro um cancro a comer-me o coração e deixar, esperando que passe a quisto sebáceo com o tempo. É dar tempo ao tempo e o tempo dar-me saudade e saudade daquela sem fim. É falar de ti sem vírgulas porque me apresso nos teus gestos nos teus traços fortes e na tua lingua comprida. É sorrir sem razão e chorar no dia seguinte até perder forças. Chega até a ser patético, sentir que tenho de novo quinze anos e sentir-me ridicula. É ver a América em todos os lugares a que me levas, Paris no teu sorriso e às tuas mãos bonitas. É manter-me na calada, falando alto de ti. É dar-te a mão e tremerem-me os joelhos, como se fala nos livros. É tapar a boca quando penso que é amor, como se nunca tivesse ouvido essa palavra. Tivesse eu nunca sentido essa coisa, cancro do coração, e seria assim. Atirada da ponte, por ti. É pôr-me em bicos dos pés para te chegar ao nariz, sonhando beijar-te a testa um dia. Talvez quando for mais alta, penso então. É querer ser mais alta, contigo! É ver-te gigante, sendo formiga. É um rasgo de ousadia e de loucura, de incompreensão e de músicas alegres, tudo junto. É não fazer sentido e não ver mal nisso. É ter noção que mo tiras, o sentido, e mo ofereces em palavras doces, em abraços longos e certezas improváveis. É uma força superior à vida, ao entendimento dos mortais meus semelhantes, teus inferiores. É o peito a correr para o que não conhece, o que não apanha, o que não larga, o que não pode ter e não parar de correr de qualquer das formas. Correr ainda mais, sabendo tudo isso. Correr, galopar, cantar. É impossível e não é para que se compreenda, é para que o sintas. E é morrer aqui se me dizes que não. É prometer-te então levar-te à lua, ser lá a mulher da tua vida se não mo deixas ser aqui, na Terra onde nasci.

Perguntaste-me como era o meu amor. É isto.

14 comentários:

  1. É sentir ao dobro, ou triplo, ou mais ainda. É ficar parada a olhar e teres imagens que só tu vês - só tu sonhas. É ter o coração a sangrar e sentir a cura, ao mesmo tempo.
    É ser desmedida, em vez de ser "na medida do possível". É isto. Rouba vida e sanidade. E é tão bom.

    *

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  2. Eu sabia que era fundo, mas não imaginava que chegasse a bater até ao sentimento ou o obstáculo partir. Este texto só vem testemunhar mais uma vez a enorme força que tens. Eu tenho a certeza que nunca chegarei a sentir nada assim, há algo em mim que me impede viver centrado apenas num objectivo. Admiro-te por seres capaz, por teres um Coração deste tamanho.

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  3. é ficar feliz na felicidade do teu sorriso e me doer o coração quando te vejo lágrimas...Mãe, eu amo-te. E o amor, é isto.

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  4. Digo-te muito sinceramente. Se isto é ter coração em demasia. Também quero.

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  5. se conseguisses enfiar tudo isto na palavra 'amor', o que achas que a humanidade te daria em troca?

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  6. Muito bom.
    Não gosto de definir a palavra Amor, mas estás muito perto. No final é deixar o silêncio (das maos, dos olhares, dos corpos nus, etc) concluir toda esta epopeia.

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  7. e que bom é estar imune a isso tudo, que bom é estar liberto dessa prisão...

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  8. Joana, se me permites: nunca se tem coração em demasia. Isto é a prova. *

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  9. Magnífico.
    Estou para escrever um texto sobre o meu conceito de amor há uns tempos. Mas acabo por passar já uma imagem do meu conceito através de outro tipo de textos, e acabo sempre por não fazer o que quero.

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  10. Mas que coisa + linda, + maravilhosa, + tudo.

    Excelente, Parabéns!!

    bjs
    mokinhas

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  11. consegues sempre dizer o que tenho cá dentro e não consigo bem por em palavras.

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