Quero muito amar-te. Quero muito apaixonar-me pelo teu cabelo claro, a tua barba curta. Queria poder beijar esse teu feitio, o jeito como gesticulas mais quando te atrapalhas e mentes. Sim, porque quando mentes puxas a gola e o colarinho para os lados, compões incessantemente as bainhas das t-shirts nos ombros, apesar de já estarem no sítio. Fazes sempre isso quando queres estacionar em sítios privados, jogas a carta de o-meu-tio-trabalha-aí ao segurança que nem te ouve, ou quando queres passear em parques depois de estarem fechados e aí dizes oh-aqui-a-minha-namorada-era-o-que-mais-queria-deixe-nos-lá, mas também ele te faz ouvidos de mercador. Talvez saiba que não sou tua namorada. Também houve aquela vez em que te meteste com a funcionária da Fnac, e uma outra com a menina do MacDrive, depois de um não-não-ela-não-quer-gelado-que-está-de-dieta e eu amuar um bom quarto de hora. Acabaste por pedir dois sundaes, com chocolate extra.Se eu pudesse escolher, escolhia a tua barriga. O teu umbigo saído para fora, como um feijão teimoso. Os teus dedos de pianista, o teu mau humor quando te deixo à espera minuto que seja. Já nem me importo que abras janelas a queixares-te de como o meu perfume é letárgico. Vais dizer que estás cansado, a páginas tantas, para encostares a tua cabeça dura no meu ombro. Sei como demoras a destrancar o carro quando chego atrasada, resmungando que não pode ser sempre assim, eu a demorar e tu a esperar e a desesperar. Madame, chamas-me de troça. Beijas-me de fugida, finges-te amuado. Perguntas pela trigésima terceira vez porque não vamos no meu carro, resmungas que me habituaste mal, perguntas-me se sei o preço a que está a gasolina e vais esperar resposta olhando-me pelo espelho retrovisor, como se eu fosse no banco de trás. Como se existisse banco de trás no teu carro de dois lugares. Encaro o espelho com um sorriso, vejo os teus olhos cor de fundo de mar fecharem-se um pouco, de sorrires também. Ouvido contado assim, diriam que és bruto. És coração doce, bom.
Queria muito poder amar-te. Mas não há aquela força, que me falaste num dos nossos passeios. Aquela força que me levasse a dizer, a gritar!, que és o homem da minha vida e que me vejo contigo em vinte anos e muitos minutos que sei de cor. Mas se eu pudesse escolher - oh se eu pudesse escolher! -, escolhia-te a ti. A ti, ao teu coração bom e à tua alma cor de fundo de mar.

és uma doce Joana Éme:')
ResponderExcluiristo é um statment muito poderoso.Tens razao, amanha vamos conversar uma longa conversa, noite adentro.
ResponderExcluirTão mais fácil se se pudesse escolher.
ResponderExcluirGosto da maneira como escreves :)
ResponderExcluirRevi-me absolutamente neste texto.
ResponderExcluirQue delicia de texto, fizeste-me sorrir bastante - talvez por me ter identificado tanto com ele -, está lindo!
ResponderExcluirHá certos pormenores que marcam a diferença, como aquele olhinho a fechar por estar a sorrir. Às vezes é facil escolher, mas é dificil acertar na escolha.
Li e reli, está fantástico. Oh se pudéssemos escolher quem amar...
ResponderExcluirJá agora, um grande obrigado pelos parabéns e pelas tuas palavras. Beijinho Joana*
escreves de um modo maravilhoso.
ResponderExcluircomo eu gosto dos teus textos :)
um beijinho *
Eu gostava que soubesses..
ResponderExcluirpalavras simples e directas, mas doces.
ResponderExcluirparabens pelas palavras que partilhas.
gosto (:
Se pudéssemos escolher a quem amar, tudo seria tão (mas tão) mais simples.
ResponderExcluirTão bonito oh Joana *
ResponderExcluir(poderias-me dizer como é que se mete fotos em dimensões tão grandes no blog?)
sempre a escrever maravilhosamente, Joana :D
ResponderExcluirComo te compreendo Joana.
ResponderExcluirSe pudesse escolher não escolhia quem amo. Ai não escolhia não...
Leste-me este texto e foi como se mo dissesses sem leituras. Está fundo no coração - és tu a falar, a sentir.
ResponderExcluirGosto que me leias os teus posts, J. *