Contigo tive, durante meses, vida dupla. Habituei-me a pôr uma peruca e uma máscara e vivi uma vida contigo que não a mesma que comigo. Entende-me, esqueci-me de quem era e tornei-me quem querias que eu fosse. Se me querias loira, fui morena para com todos os outros. Quando me quiseste magra, engordei vergonha de ti e emagreci de auto-consideração. Se me querias bonita - porque foi requisito teu - fui-o mais para com todos os outros. Entrei num jogo doentio, beco sem saída, fui dois lados de uma só moeda. Fui pau de dois gumes, assassinei-me por um amor cego - o teu. «Cego», sim, porque nunca me viste realmente. «Amor» já não o sei tão seguramente. Querias-me coroa, vias-me rainha, e eu só te queria mostrar a cara. Deixar que me caísse a máscara e revelar-te os meus caracóis castanhos, o meu corpo a nu. O meu - e não o que vi transformado por ti. Para ti. Contigo. Hoje encaro o espelho e estaco assustada com o meu próprio reflexo. Entende-me, esqueci-me de quem sou. domingo, 23 de agosto de 2009
Jogo-moeda.
Contigo tive, durante meses, vida dupla. Habituei-me a pôr uma peruca e uma máscara e vivi uma vida contigo que não a mesma que comigo. Entende-me, esqueci-me de quem era e tornei-me quem querias que eu fosse. Se me querias loira, fui morena para com todos os outros. Quando me quiseste magra, engordei vergonha de ti e emagreci de auto-consideração. Se me querias bonita - porque foi requisito teu - fui-o mais para com todos os outros. Entrei num jogo doentio, beco sem saída, fui dois lados de uma só moeda. Fui pau de dois gumes, assassinei-me por um amor cego - o teu. «Cego», sim, porque nunca me viste realmente. «Amor» já não o sei tão seguramente. Querias-me coroa, vias-me rainha, e eu só te queria mostrar a cara. Deixar que me caísse a máscara e revelar-te os meus caracóis castanhos, o meu corpo a nu. O meu - e não o que vi transformado por ti. Para ti. Contigo. Hoje encaro o espelho e estaco assustada com o meu próprio reflexo. Entende-me, esqueci-me de quem sou.
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Eu tenho a esperança que ainda me ouça - de uma forma qualquer.
ResponderExcluirBonito texto! Foi a melhor decisão, porque nunca devemos aceitar mudar por alguém. Afinal, não existem almas gémeas.
Disse existirem príncipes aos olhos de quem os vê, logo também não acho que existam "os encantados", a não ser olhando para o outro e daí, criar uma espécie de ideal de príncipe, pelo simples facto de nos completar e nos fazer pensar que "é com ele que quero estar para o resto da minha vida". Principes existem porque nós os criamos, logo afirmo a existência de algo imaginado, basicamente. Faz sentido?:p
ResponderExcluirO que somos é tão único e precioso que tanto pode ser cuidadosamente guardado como roubado. Não percas quem és, é uma relíquia!:)
Um beijinho*
nunca te esqueças de quem és :c
ResponderExcluirbeijinho.
Promete a ti própria que nunca mais voltas a fazer isso, não há nada mais importante do que manteres quem és, não podes ceder a tua individualidade, a tua essência, é fundo de mais para negociar, têm de se aceitar. E se te esqueces de quem és, deixo aqui uma dica, és uma mulher espantosa e madura que não volta a cair no mesmo erro, és mais forte que isso, és mais forte que o teu Coração.
ResponderExcluirSim, foi tudo da minha imaginação, mas não é preciso exagerar. :p
Para muito longe. *
ResponderExcluirEstou cheia de demasiados. Tu não?
ResponderExcluirÉs bonita assim?
* És bonita assim. (digo-o)
ResponderExcluirNão devemos mudar, por ninguém :) devemos sempre manter-nos fiel a nós mesmos... beijinhos
ResponderExcluirObrigada! :)
ResponderExcluirEste 'quarto' também está fantástico! Vou começar a espreitar muitas vezes! :b
Se alguma vez tiveres de mudar, fá-lo por ti!
Um dia, alguém te amará não só pelas tuas qualidades mas também pelos teus defeitos, que serão perfeitos aos olhos desse alguém!
(Não sei se me fiz entender. xD)
nunca mudar pelos outros, sim por nós mesmos.
ResponderExcluire se o outro não gosta, paciência!
deixei tudo :b *
A intensidade deste texto chega a moer cá dentro. As mudanças só valem a pena se for por nós mesmos que as fazemos.
ResponderExcluirGostei, e vou seguir :)
ResponderExcluirNão te direi como a maioria das pessoas diz: "Nunca te deves esquecer de quem és".
ResponderExcluirÉ bom andares perdida e esquecer todas as bases que tiveste. O periodo com maior prosperidade vem sempre depois de uma guerra. Sais sempre com outros horizontes, uma pessoa madura e cumplice e grata com a tua vida. O importante é teres pessoas que te rodeiem que te advertam q as coisas secalhar comecam a descarrilar...e eu sei q tens! :P
gosto da tua sinceridade. é pura.
e sinceramente... eu gosto de caminhar na vida sobre "nenúfares", entendes?
««Cego», sim, porque nunca me viste realmente»
ResponderExcluirtão certo Joana, tão verdadeiro