Não pensei uma única vez em ti, estes dias. Não houve vez que me lembrasse dos teus olhos claros, dos teus dedos longos, deles nas minhas costas altas. Não senhor, nope. Se me perguntarem por ti, disserem o teu nome, o que não digo alto faz dias, vou abrir muito a boca, ter um espanto muito grande. Porque já quase nem lembro de ti, faz dias, longos dias, que não penso no teu sorriso grande. Esqueço-me de como tens uma voz feia para cantar ou de como tens o péssimo hábito de me imitar os tiques. Surpreende-me voltar a ver as tuas coisas, espalhadas pela minha secretária, no regresso a casa. Diria que cá nunca estiveste, a memória de ti está fraca como o sol tímido lá fora. Perguntem-me se me atiraste para a cama, para me ver rir alto, que eu nego. Questionem as nossas danças, e as do peito, que eu não sei do que falam. Apontem os passeios perto da praia, o vento ensurdecedor e as músicas aos berros - lembrem-me. Sei lá eu como beijas pescoços como a bocas, barrigas como a pescoços. Desconheço que feches os olhos enquanto toques piano e que te irrites quando te enganas, que nem é tantas vezes quanto isso. Não posso dizer o quão bonito és, porque mal me lembro de ti. Clichés de "por dentro e por fora" resultam contigo? Não sei, algo me diz que sim - mas não penso muito nisso.
Merda, pensei sempre em ti. Foste sempre tu.

A memória é traiçoeira. Faz-nos crer que coisas reais não existem mais. Faz-nos criar sonhos que se perdem na realidade.
ResponderExcluirNão sei é como a verdade consegue ser tão ou mais traiçoeria que a memória. *
Custa esquecer. Às vezes, até inconscientemente lembramos.
ResponderExcluirdeviamos ter a capacidade de dizer ponto final, vem aí um novo capítulo, este já era. mas essa víbora não deixa *
ResponderExcluirGostava de ter uma memória mais curta também, gostava de esquecer facilmente, virar e página e não olhar mais para trás. É pena nem sempre o conseguir, existem dias em que as folhas voltam para trás e o passado volta a dar a cara. *
ResponderExcluirodeio isso. odeio. odeio tanto. é a porcaria da memória que trás dias passadas, flashes de momentos. soa estranho
ResponderExcluirpor mais que tentemos esquecer vêem sempre à memória (..)
ResponderExcluirSinto-me tanto assim..
ResponderExcluir(E acho que vais gostar do video que tenho no meu blog)
ResponderExcluirQuanto mais tempo estivesses fora, mais a tua memória ia buscá-lo quando voltasses a encontrar as coisas dele espalhadas não só na tua secretária, mas que ali são mais concretas.
ResponderExcluirOh, este texto diz tudo o que eu sinto e não consigo expressar. Está excelente :)
ResponderExcluirIrrito-me comigo própria por não pensar noutra coisa. Deves fazer o mesmo.
ResponderExcluirÉs grande =D
Somos seres humanos :/
ResponderExcluirBelo texto :)