sábado, 3 de outubro de 2009

Rigor Mortis.

Não sei como o fizeste, mas fizeste-o.
Deste um fim ao que não teve início. Sem aviso, afirmaste um ponto final onde sempre te questionaste se haveria princípio. Princípios, esses, não os houve, tenho a certeza. Porque os valores não se deitam nus em noites de loucura. Os valores, nessas noites, adormecem. E podias ter adormecido o que preferiste matar. Seja o que for que, entre nós, só teve fim e nunca começo. Não chegou a nascer porque já viria ao mundo, cruel, morto. Declaraste-o tu, vendo o que temos, entre nós, em estado de rigor mortis. Não sei como o fizeste, mas fizeste-o. Foi cruel. Não, pontos nos is e traços nos tês: foste cruel. Pronunciaste palavras claras, vagarosas, duras. Não deixaste margem para ambiguidades ou dúvidas. Assinaste, com essa tua caligrafia bonita, certidão de óbito ao que não teve existência senão nos nossos corpos nus, em noites de loucura. Despidos de princípios, valores ou certezas. Não sei o que foi, mas sei que morreu na noite passada. Encontra-se agora em rigor mortis e aguarda autópsia. Alguém com mais paciência que um de nós que esclareça as causas, apure os motivos, descortine os porquês. Alguém de princípios e de certezas. Alguém que deixe nascer amor, sem o assassinar de antemão com medo que este bebé possa vir a ser maior que si mesmo. E que, por favor, deixe tudo por escrito - quero relatório na minha secretária segunda-feira pela manhã.

10 comentários:

  1. Já vi que por aqui se ama chávenas e essencialmente café.

    Ofereço um café no meu cantinho de fotografia... ah, com pau de canela (risos)

    Bjos e bom f-d-s

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  2. Há pessoas que se assustam de dar aquilo que não se julgam capazes, pelo menos de momento. Mais uma maior cobardia, mesmo que de forma incosciente, é deixar faíscas bem vivas em outras pessoas sem terem a intenção de as encherem de fogo.

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  3. fogo :c
    gostei (:



    beijinho.

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  4. E embora tenha sido eu a pôr um ponto final, sei que só o fiz porque me queria assassinar o amor que carrego. E isso eu não permito.

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  5. faço minhas as palavras do Nuno R.
    «Não chegou a nascer porque já viria ao mundo, cruel, morto».
    foi um aborto de amor mal feito, daqueles clandestinos. e nesta parte «alguém com mais paciência que um de nós que esclareça as causas, apure os motivos, descortine os porquês», revi-me imenso. Às vezes o nosso 'quase amor' fica gasto e nós ficamos tão fartos de lutar por algo que não dá resultados, que depressa nos cansamos de tentar perceber o que é que não deu certo ou como é que o embrião do que ainda está para ser já não foi nem nunca será...

    Um beijinho *

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  6. Pior do que dar errado é nem sequer tentar fazer com que dê certo. Medo? Cobardia?

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  7. Sim, chegamos ao último dos cinco estádio de luto: aceitação.

    :)

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  8. àsvvezes, mais do que palavras gostava de te dar um abraço.

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  9. Mudar-me-ia de armas e bagagens se me deixassem mas é impossível. O q em tempos foi Casa, hoje é inabitável. Pelo menos para mim e para o coração em demasia q também transporto. Trago um amor desses, um quase amor. E como tu sinto-me a desistir numa morte anunciada e tirada a ferros.

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