Conheceste-me num dia frio e deste-me a conhecer noites quentes. Vi-te crescer a cada estação, gostei mais do teu sorriso pelo Outono e das tuas mãos primaveris. Bebias sempre do meu copo e dos meus olhos também. Tratei o teu habitual humor satírico por tu e guardei cerimónias para as tuas falinhas mansas. Perdi-me por tanto te encontrar. Estavas em todo o lado. Nas ruas, nos vidros espelhados dos carros, nos autocarros sem topo, no céu coberto de nuvens e no fundo da minha barriga soprando sorrisos linguarudos. Via a tua barba na de todos os rapazes bem-parecidos e o teu à-vontade no atrevimento de arrumadores de carros perto da Loja do Cidadão. Todas as músicas eram sobre ti e nenhuma te fazia jus. O meu guarda-vestidos cheirava a ti e as minhas camisas às tuas. Gostava de te ver fumar pelo fim do dia e de te ouvir cantarolar uma música de blues, enquanto te queixavas das interferências do rádio. Estavas em todo o lado. Deitado a meu lado, adormeceste abraçado ao meu peito. As tuas pernas estavam entrelaçadas nas minhas até ser de manhã e a claridade acordar os lençóis brancos. Os teus poros cansados do meu inesgotável amor. O meu inesgotável amor, pulsando-me no peito que abraçavas até ser de manhã.Depois fizeste o que fazes melhor - Deixaste-me.
(*) Os Azeitonas - Já não te sinto em mim.

Está lindo o texto, e o fim frio, tão frio como te sentes :x
ResponderExcluiruau:D
ResponderExcluirnão, não é nada querida Joana Éme, só que gosto mesmo daquela fotografia e quis postá-la:)
Este cheira-me ao meu texto. E isso sabe-me bem. A ti, não?
ResponderExcluirO texto está incrível. Essa pessoa marcou-te mesmo.
ResponderExcluirEle só fica bem nas tuas palavras.
ResponderExcluirHá coisas que nos marcam... como marcam. Depois, resta apenas uma canção.
ResponderExcluirSei tão bem como te sentes Joana, e é horrível. Hoje é um dia difícil para mim, recaidas que temos quando já deviamos estar curadas, e este texto pareceu escrito para mim, como tantas vezes o fazes.
ResponderExcluir«O meu inesgotável amor, pulsando-me no peito que abraçavas até ser de manhã.
Depois fizeste o que fazes melhor - Deixaste-me.»
e ele fa-lo muitissimo bem
não era suposto sentirmo-nos descartáveis