"A primeira vez que fizemos amor ele pegou no meu corpo como se fosse uma extensão do seu. Movimentos que se afinam com o tempo, como aqueles pares nas danças de salão, o corpo que desliza no corpo do outro na antecipação precisa, matemática, do gesto que vem a seguir. Na sua boca fiquei com a ideia de ter esvaziado a alma. Havia suor nas costas dele e a minha mão chegava onde nunca antes tinha chegado. Não houve fim, apenas um suspiro de cansaço e uma espécie de sono onde me guardou. Um abraço que eu não quis perder.
Não houve uma conversa sobre nada, sobre nós, sobre a vida ou o futuro. Aquele exercício costumeiro de apurar a disponibilidade do outro para a conjugalidade foi evitado com aprumo, num acordo silencioso que implicava a aceitação do passado e uma fraquíssima expectativa face ao que vem depois.
O silêncio dele completou o meu e, como duas peças a tentar encaixar, devagar, os dias foram-se seguindo. Nunca pensei que o amasse. Nunca achei que me deixasse. Como a Anya e a Michelle nos deixaram ao volante de um Fiat amarelo:
Quem é que está a dirigir esta coisa?"
Patrícia Reis in «Morder-te o coração».

God! Gosto do q escreves e gosto do q citas.
ResponderExcluir:)
Livro interessante, muito mesmo. Tenho-o ali na minha estante, ou terei emprestado a alguém?!
ResponderExcluirSabes ser pássaro?
ResponderExcluirUma amiga minha leu esse livro já há uns tempos. Disse que ficou viciada e, pelo que vejo aqui, tinha razões.
ResponderExcluirGostei muito
Não conhecia, mas parece-me um bom livro.
ResponderExcluirDeve ser um livro interesante.
ResponderExcluir