O dia rompe nublado. O sol, tímido, é quente e brilha nas árvores molhadas. Plantas que piscam na serra, aqui e além, dando sinais da chuva passada na noite anterior. Lavou as ruas e enxotou os cães vadios, já pelas redondezas só gatos famitos cirandam.
Acordo com a claridade fraca espreitando pela persiana fechada quase até tocar o chão. Olho-te dormindo, beijo-te o cimo das costas. Um beijo cheio, silencioso. Continuas adormecido, arrepias-te com os meus lábios há pouco acordados. Levanto-me devagarinho, tímida como o sol. Pisco os olhos ensonada, como a serra que brilha orvalhadas, enquanto me encaminho para a cozinha. É pequena e chateia-me a janela ser ainda menor que os metros quadrados que piso descalça. Abro a porta do frigorífico, procuro o pacote de leite meio gordo e a manteiga com sal. Ligo a torradeira enquanto recolho uma bandeja, um prato de sobremesa e uma caneca. Apanho o cabelo enquanto o pão torra e o leite com chocolate quente, já pronto, arrefece na bandeja prateada. Tudo pronto, levo para o quarto. Estás a despertar, Bom dia meu amor. Sorris, um sorriso bonito, enches o peito de cheiro a torrada e a amor.
(*) 03 Agosto de 2009.
Sentia-me capaz de fazer isto todos os dias, pelo resto da minha vida. Acordar-te pela manhã como a claridade, com um beijo cheio e o coração entregue numa bandeja prateada.

«Sentia-me capaz de fazer isto todos os dias, pelo resto da minha vida. Acordar-te pela manhã como a claridade, com um beijo cheio e o coração entregue numa bandeja prateada.»
ResponderExcluirOs meus olhos têm água.
Acertaste-me em cheio.
Podiam dar-nos esta possibilidade, a possibilidade de fazermos algo em que realmente somos boas: a dar o nosso amor a quem tanto amamos. Sempre numa bandeja prateada.
não percebo porque é que quando estamos já prontas a dar esse coração, que em demasia sabe encher os outros de amor, nos tiram tudo e essa possibilidade se vai.
ResponderExcluirAmor em demasia deixa sempre saudade.
ResponderExcluirO problema é quando estamos prontas para o dar e eles não estão prontos para o receber. ficamos com uma bandeja de sonhos na mão e sem saber o que fazer com ela.
ResponderExcluirJoana, quando te leio vejo curtas-metragens. E gosto tanto.
ResponderExcluirEstou sem poder de argumentação
ResponderExcluir''Bom dia meu amor''.
ResponderExcluirIsso diz tudo *
Joana Éme. outrora foi assim,
ResponderExcluir