quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Contradanças.

Olha-me como se nos conhecessemos há muito, muito tempo. Falamos de banalidades, uma ou outra subtilidade, como quando me quer perguntar se tenho namorado sem me perguntar se tenho namorado. Afinal, não nos conhecemos há muito, muito tempo. Olha-me fixamente, sem timidez nem rodeios, cativa-me quando sorri confiante. Não se deixa intimidar pelo meu riso alto, arrepia-me a nuca quando fala mais baixo. Diria que o faz propositadamente, aguça-me os sentidos e arrepia-me a nuca, quando fala mais baixo. Cruzo as pernas, tenho as costas direitas e brinco com o copo, fingindo-me distraída. Sei que me observa, vai tocar na minha mão para me chamar. Olha-me sempre nos olhos, como se nos conhecessemos faz muito, muito tempo. Não sei dizer o que nele mais me intriga. Se a subtilidade das suas conversas banais, se o seu olhar confiante. Mais tarde haveríamos de dançar juntos. Eu a deixar-me levar por um estranho, que me guia em passos confiantes, como se soubesse que ritmo melhor me fica. Como se soubesse exactamente onde pousar a sua mão, confiante, para que me deixe levar pelo seu corpo. E o seu corpo é quente - há aqui um coração. E deixo-me levar por ele, mesmo que não lhe saiba contar as pulsações.

Apaixonei-me por um estranho que gostava de dançar, há muito, muito tempo.

7 comentários:

  1. Encontraste o "teu" Coração em Demasia. :)

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  2. Há aí um coração. Há muito, muito tempo.

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  3. «Falamos de banalidades, uma ou outra subtilidade, como quando me quer perguntar se tenho namorado sem me perguntar se tenho namorado»

    sorri ao ler este pedacinho
    onde é que eu já vi isto

    P.S. o teu coração em demasia encanta-me*

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  4. mais continua a haver um coração, quentinho, ainda que tenha sido ha muito tempo.

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  5. Nem sempre contar as pulsações traz a verdade, nem sempre o primeiro impulso é o verdadeiro.
    Eu sei disso mas prefiro não pensar, os lábios dele são tão sublimes, afinal eu já não sou uma miúda. Afinal embora eu saiba que tu não queres saber, é por ti que estou prestes a embarcar, não percebes que é por ter morrido em ti o que em mim ainda arde que vou aceitar o convite.
    Sim vou aceitar, vou vibrar e procurar derreter-me nos braços musculados dele, vamos transformar-nos num qualquer melaço, vamos transformar-nos numa pasta meio líquida que vai arder intensamente explodindo num misto de prazer, raiva e tristeza!
    Pelo menos eu já sei que vou sentir assim…

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