segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dueto.

Não me envolvas nas tuas falinhas mansas. Não me convenças com o teu discurso imperceptível, as tuas falas codificadas em alegorias audazes e apetecíveis. Oh não, não sejas apetecível. Não me seduzas com brisas de um Outono quente, um sopro no coração já frio. Não me mostres a vulnerabilidade de um corpo solitário, não quero ver a solidão de dois corpos roubados por uma só noite. Não me acompanhes na valsa lenta das minhas insónias e não me elogies os capítulos de vanguarda de histórias que te contaram de mim. Não me queiras ler por ti, não. Não me faças sentir que ainda existe peito, que ainda existe vontade, que ainda sobra calor de ti para mim. Deixa-te de falinhas mansas e joga justo. Não me faças esquecer de regras, apagar linhas e barreias por um beijo solitário roubado. Não me desafies para uma partida onde estou condenada a perder. A perder-me, percebes?
Eu sei que percebes e peço-te que guardes os dados e as tuas falinhas mansas. Às vezes não tem mal termos um coração solitário, já frio, que esqueceu que, um dia, virá o Outono aquecer-nos as noites e os pés dormentes.

6 comentários:

  1. E se há coisa que nao podemos fazer é perdermo-nos e muito menos viver de falinhas mansas.

    Brilhante Joana*

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  2. E quando não há consciência que os faça ver que já chega de falinhas mansas e jogo sujo?

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  3. não é podemos e impedir o Outono de vir :)

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  4. Sinto que as minhas fraquezas dadas como trunfos são como este teu pedido. No fundo, no fundo, queremos o oposto do que escrevemos.

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