quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ama-la.

Deita-se com ela e sabe exactamente como a vai ver puxar os lençóis. Primeiro encolhe os joelhos, em simultâneo, estica os dois braços e agarra o edredão com as duas mãos firmes. Inclina-se para trás num só gesto, suave, acolhedor. Costuma apanhar o cabelo num rabo-de-cavalo enquanto não está mesmo para adormecer, está mais à-vontade assim. Chega-se para um lado da cama, oferece-lhe a outra metade com um sorriso. Tem vezes em que toca suave e carinhosamente na cama, duas vezes, chamando. As suas unhas são delicadas, os seus dedos finos. Nos seus olhos orbita um brilho intenso e os seus lábios são cheios.
Deita-se com ela e conhece exactamente cada palmo do teu corpo. Sabe, por exemplo, que encontrará música country na sua boca doce, ganhará vontade de dançar de texanas em cima de balcões depois de um beijo seu. Poderia cantarolar um ióreléri-ióreléri-ô quando ela abraça as suas costas entre um "amo-te" e um suspiro sinceros. Sabe também que na sua barriga moram segredos que teme a descoberto e que entrega ofegante, redentora e contrafeita. Sente-se capaz de berrar um grito de guerra quando ela se entrega, ofegante e bonita. Sabe-a bonita, deitada na metade da sua cama pequena.
Deita-se com ela e descobre um amor por inteiro. Um amor como nenhum outro que até então sentira. Um amor completo, repleto. Um amor que vem do peito e não vai a lado nenhum, porque tem de ficar aqui. Na cama com a mulher da sua vida - a que bate suave e carinhosamente, duas vezes, com a palma da mão no colchão, esperando.

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