terça-feira, 15 de setembro de 2009

Confessa.

Diz-me que quando te beijo perto dos lábios os sentes dilacerarem saudade. Afasta com um grito o desespero de me imaginares em declarações por outros campos de guerra que não o do nosso amor. Ainda o é? Amor, meu querido, é? Guerra sempre o soubemos que sim, mas por quem? Ferimos o coração em tantos sentidos diferentes que, quebrando barreiras de espaço-tempo, não distinguimos mais o passado do presente - será amor? Di-lo com as palavras certas, se as há, entre gestos certeiros. Aponta-me ao coração, risca inseguranças e hasteia o teu nome com um só pedido sincero: pede-me de volta. Confessa-me como te custa ver-me atravessar a rua, de cabeça erguida e passo seguro, sem precisar de te dar a mão. Exagera - porque o amor dá-se par a par com a luxúria - e insurge-te porque me rio sem precisar da tua companhia; e ouve o teu coração chorar o meu nome. Assume a dor de um amor a pique, um amor de baloiço, um amor de loucos, um amor doente, um amor vivo, matando-te! Diz-me que agonias pensando em mim em carros que não os teus. O meu corpo tomando um banho quente na banheira de outro homem, demorando-me no seu olhar atento. Foste-o tu, amor; atento? Geme vendo-me em braços que não os teus, camas que não a tua, em propostas pouco decentes - as mesmas dos teus braços, da tua cama, durante tanto tempo. É disso que precisamos, meu bem - de tempo? Não sei quando foi que se tornaram incompatíveis, amor e tempo. Tornamo-nos nós também, antagónicos, meu amor? Ou também tens medo - tens? Não, não tens. Dir-me-ias se o tivesses.

9 comentários:

  1. Às dúvidas. E tu, vais para onde?

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  2. É sempre fantástico ler-te (de novo) Joana (:

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  3. Força, para fazeres um texto destes é porque tens esperança que alguma destas confissões acabem por aparecer. Mas se há medo...

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  4. O teu "coração em demasia" é-o chapado na escrita e no sentimentos que passas com ela. Gosto muito.

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  5. Gosto deste amor. Louco, desesperado, sentido ao extremo. Gosto de como vives as paixões e os amores. Sente-se tudo nesta escrita.
    E é tão bom de se ler. Parabéns Joana*

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