Beijou-o porque os seus olhos lhe lembravam os do seu ex namorado. Ex, nunca gostou de o dizer. De qualquer das formas, ele estava ali, nos braços dela. Tocou suavemente no cabelo dele, nem muito curto nem muito comprido, crespo como trigo forte em tempo primaveril. Lembrava o do seu ex namorado, sorriu nostálgica. Quantas vezes os sorrisos são mal interpretados.
Vira-a numa festa, vestido curto e umas pernas altas vistosas, dançando alegremente. Tinha saudades de encher assim a vista, num vestido curto decotado, uma miúda que dança alegremente, contagiando. Haveria de a conquistar, só porque troféu assim é qualquer coisa para se mostrar aos amigos. Duas de conversa, trocam-se bebidas e números, combinam-se encontros. Pisca-lhe o olho, desafiando. Quantas vezes os gestos são mal interpretados.
Encontram-se poucos dias depois, a ânsia de ver o rapaz parecido com o seu ex, a vontade de ver a miúda das pernas altas, troféu de vista. Ex, nunca gostou de o dizer.
Beijam-se porque, quantas vezes, os sentimentos são mal interpretados.
Ela quis lembrar-se de como era pertencer a uma boca, a um par de braços, abrigar-se segura sob espigas de trigo forte em tempo primaveril. Ele quis provar a si mesmo, e, muito convenientemente, aos da malta, que tem o que é preciso para fisgar uma miúda bonita. Traria para casa o troféu, os amigos haveriam de encher vista nos seus vestidos curtos e no seu jeito descuidado nas danças, contagiando alegremente.
Encontram-se muitas vezes depois disso.
A ânsia de ver o rapaz, a vontade de ver a miúda. Já não se lembram de ex namorados nem de troféus porque, os sentimentos, esses vadios, mal interpretados, superaram malícias de uma noite de festa ou nostalgias ocas de fins de namoro.
Ela sente que pertence a esta boca, a este par de braços, a este cabelo nem muito curto nem muito comprido.
Ele sente que ela o contagiou, como um tempo primaveril no peito forte, sempre fechado, sempre trancado. Talvez tenha chegado o tempo de colheita, talvez se tenha amadurecido a noção de relações, de compromisso. Haveria de a conquistar, só porque laços assim são qualquer coisa de se ter para a vida.
O que ele não sabe, porque ela nunca o disse, é que a miúda dos vestidos curtos decotados e das danças descuidadas já se sente conquistada, num laço que, mesmo que não para a vida, é forte como uma espiga de trigo.
Quantas vezes calamos o que sentimos?
Vira-a numa festa, vestido curto e umas pernas altas vistosas, dançando alegremente. Tinha saudades de encher assim a vista, num vestido curto decotado, uma miúda que dança alegremente, contagiando. Haveria de a conquistar, só porque troféu assim é qualquer coisa para se mostrar aos amigos. Duas de conversa, trocam-se bebidas e números, combinam-se encontros. Pisca-lhe o olho, desafiando. Quantas vezes os gestos são mal interpretados.
Encontram-se poucos dias depois, a ânsia de ver o rapaz parecido com o seu ex, a vontade de ver a miúda das pernas altas, troféu de vista. Ex, nunca gostou de o dizer.
Beijam-se porque, quantas vezes, os sentimentos são mal interpretados.
Ela quis lembrar-se de como era pertencer a uma boca, a um par de braços, abrigar-se segura sob espigas de trigo forte em tempo primaveril. Ele quis provar a si mesmo, e, muito convenientemente, aos da malta, que tem o que é preciso para fisgar uma miúda bonita. Traria para casa o troféu, os amigos haveriam de encher vista nos seus vestidos curtos e no seu jeito descuidado nas danças, contagiando alegremente.
Encontram-se muitas vezes depois disso.
A ânsia de ver o rapaz, a vontade de ver a miúda. Já não se lembram de ex namorados nem de troféus porque, os sentimentos, esses vadios, mal interpretados, superaram malícias de uma noite de festa ou nostalgias ocas de fins de namoro.
Ela sente que pertence a esta boca, a este par de braços, a este cabelo nem muito curto nem muito comprido.
Ele sente que ela o contagiou, como um tempo primaveril no peito forte, sempre fechado, sempre trancado. Talvez tenha chegado o tempo de colheita, talvez se tenha amadurecido a noção de relações, de compromisso. Haveria de a conquistar, só porque laços assim são qualquer coisa de se ter para a vida.
O que ele não sabe, porque ela nunca o disse, é que a miúda dos vestidos curtos decotados e das danças descuidadas já se sente conquistada, num laço que, mesmo que não para a vida, é forte como uma espiga de trigo.
Quantas vezes calamos o que sentimos?

Calamos o que sentimos por alguma razão.
ResponderExcluirEu nunca me menosprezo. Apenas tenho consciência de que quando faço sofrer alguém, é a doer. E ainda pra mais quando a pessoa em si não merece.
Mais vezes do que deviamos. Tantas coisas que fazemos mais vezes do que deviamos.
ResponderExcluirTantas vezes. Calamos com outras palavras, calamos com a boca.
ResponderExcluirNunca com o coração.
Obrigado Joana. Foste capaz de meter-me um sorriso nos lábios com tudo o que disseste. Deste-me a força que faltava para continuar. Podes ter a certeza que, se ainda escrevo, é por pessoas como tu, pessoas que respeito pela maneira como são, e tu estás mesmo nesse topo.
ResponderExcluirGosto sempre de vir aqui, de ler o teu coração, de tentar perceber-te e se possível ajudar-te (engraçado, eu que nem sei grande coisa). E se agora consigo perceber o que escreves, é graças a ti. Aos poucos, tens vindo a ensinar-me a ler-te e a conhecer-te melhor, e tenho vindo a descobrir alguém fantástico. Além de me ensinares a ser melhor pessoa e a perceber melhor esse género tão complexo como é o feminino. :D
Se este post está um pouco de chacha? Talvez, mas isso não importa muito se é o que sentes e se escreveste com verdade. Para mim, e tendo como base o texto, vê-se principalmente como ainda sentes muita dor por esse episódio (arrisco-me a dizer algum rancor por esse galã - mas eu talvez seja por eu detestar a grande maioria deles, normalmente já se sabe quem acaba por sofrer e não consigo com isso).
E obrigado ainda pelo comentário ao meu conto. Não sei bem porque o escrevi, talvez me admire mais pelo tema em si. Acho que percebeste muito bem o que eu queria dizer. E talvez tenhas percebido melhor do que eu o porquê, acho que esse espaço está-se a abrir e pede alguém, acho mesmo que necessita. Mesmo a personagem foi feita como se fosse eu, só que numa coisa difere a ficção da realidade, eu nunca me relacionava com a primeira rapariga, mas tentava fazer de tudo para conhecer melhor a segunda. È um pouco do que já aqui escreves-te, a chama, e entre eles tentei mostrar que ocorreu essa chama. Só assim faz sentido.
Obrigado por tudo, a sério.
Um beijo grande, dum homem que não se afasta de ti :p
Dói, quando nos calamos vezes demais, por uma outra boca, que nem tenta falar por nós. Dói, porque se escondem sentimentos - para não haver más interpretações -, que, no fim, já nem sentido fazem. Dói, porque nos escondemos, nós, de bocas que desejamos, ignorando a falta de sabor da que nos pertence.
ResponderExcluirMas quantas vezes mais será preciso doer, para nos darmos conta que estamos cansados de lutar? *
Calamos o q sentimos vezes demais :S
ResponderExcluiradorei *
Acho que já te disse isto, mas sempre que te leio tenho o filme todo à minha frente: imagem a imagem. Adoro isso. E adorei este :)
ResponderExcluir"porque, os sentimentos, esses vadios, mal interpretados, superaram malícias de uma noite de festa ou nostalgias ocas de fins de namoro."
Lindo*
Beijinho:)
Calamos... mas não deixamos nunca de sentir.
ResponderExcluirTriste... mas tão belo este texto.
Calamos as vezes que queremos...
ResponderExcluirTodas, e cada uma, são demais. Um dos grandes problemas dos relacionamentos é as pessoas não dizerem tudo o que sentem, não falarem sobre os assuntos quando eles ainda não são demasiado pesados.
Muitas vezes, quando se fala, já o problema é grande e dificil de resolver porque já há mágoas grandes no meio...
(escreves muito bem, parabens)