Conheço o calor dos teus beijos como se me aquecesse as mãos ainda agora. Recordo o teu toque no fim das minhas costas como se mo tivesses cravado na pele, poros que choram a suavidade que o teu tacto partilha exclusivamente com as nuvens - ou o que concebo delas. Ainda me rio sozinha quando lembro que te enganas sempre que dizes proibido e que tantas vezes te chamei à atenção dessa tua mania de usares facas como colheres. Sei que tens um sinal no olho direito e como ficas bonito até com a barba por fazer. Gracejavas quando me vias com t-shirts tuas, nessas noites de Verão que não sei esquecer, nem que quisesse muito. Nessas madrugadas o mar beijava-me os pés e corríamos costa como loucos - loucos estavamos. O papá ligava-me furioso, patrulhava o amor que concebíamos entre rochedos e luas gordas, alaranjadas, cheias como um dióspiro verde. Recordo e revivo os versos que te enchiam esses lábios suculentos de métricas pessoanas - Ricardo Reis era o teu preferido - enquanto me lembravas um amor de cinema francês. Pintava-te as costas largas de obscenidades que não lembram ao diabo, pecados delicados em vermelho-batom, castanho-chocolate, cócegas nas tuas costas largas. Rias-te então tão alto que os vizinhos espreitavam entre estores - haja modos, meninos! - e eu abafava gargalhadas na tua almofada enquanto explodia amor olhos fora.
Cansados, mornos, deitávamo-nos lado a lado e brincava com o teu cabelo tão brando quão a minha respiração aquieta - Amo-te, confessavas-me.
E deitados lado a lado, cansados e mornos, fomos ridículos como qualquer carta de amor. Sim, fomo-nos, esdrúxulos e ridículos!, qual carta de amor, meu bem.
Hoje sou e sinto-me ridícula sem ti. Sozinha.

També me sinto sozinha. Posso sentar-me ao teu lado?
ResponderExcluirÉ, ando a descobrir que a física serve para alguma coisa sem ser para me chatear! :p
Podia ser pior ou melhor.
ResponderExcluirObrigada por me fazeres companhia.
ResponderExcluirQue texto LINDO!
ResponderExcluirestou sem palavras! :D
beijinho bem grandee.
"Todas as cartas de amor são ridículas." E todos somos ridículos, quando apaixonados. E todos somos ridículos, quando sós.
ResponderExcluirHoje, as nossas memórias dessas ridículas cartas de amor e do tempo em que o fomos com elas é que são ridículas. Não era assim?
Hoje, somos ridículos porque nos lembramos de tudo o que já não temos e nos faz falta.
(Ricardo Reis também o meu preferido.)
*
"Conheço o calor dos teus beijos como se me aquecesse as mãos ainda agora. Recordo o teu toque no fim das minhas costas como se mo tivesses cravado na pele, poros que choram a suavidade que o teu tacto partilha exclusivamente com as nuvens - ou o que concebo delas. "
ResponderExcluirque texto lindo!
"(...) não seriam de amor se não fossem ridículas."
ResponderExcluirnão consigo escolher um favorito, são todos tão belos mãe!
um abraço apertado *
"Cansados, mornos, deitávamo-nos lado a lado e brincava com o teu cabelo tão brando quão a minha respiração aquieta - Amo-te, confessavas-me. E deitados lado a lado, cansados e mornos, fomos ridículos como qualquer carta de amor."
ResponderExcluirtão, tão bonito !