quarta-feira, 13 de julho de 2011

Saudosismo não, Amor.

Sei o que pensas sobre eu voltar. Foste o primeiro a avisar-me que não visitasse a casa onde fui feliz, porque sou uma mulher saudosista. Avisaste-me das regras da sensatez. Voltar aqui é como relembrar porque fui embora. Como quem olha uma cicatriz que fingiu não ter. Talvez precise acender um cigarro. Sei como detestas este meu vício, mas sou uma mulher saudosista.
Não trago grandes cartas na manga. Não preparei grandes enredos, nem tenho um número especial para lançar neste meu regresso. Chamemos-lhe isso, o meu regresso. Sei que vais voltar cá também, mais cedo ou mais tarde. Quando vires os maços de tabaco espalhados e as folhas rasuradas de ideias, raramente completas, vais dizer que está tudo na mesma. Sou uma mulher saudosista, mas não é a nostalgia que me define. Nem tão pouco os meus vícios. Está tudo diferente agora, repara. A ferida sarou, levou pontos e lágrimas - e quando me perguntam de que foi a cicatriz não escondo o que ma deixou. O desamor.
Apago o cigarro num cinzeiro improvisado. Chateia-me esse cheiro adocicado e quente que me pesa nas mãos quando me sento a escrever, maldito vício. Olho em redor - estou de volta. Mas não regresso desarmada, isso não só seria insensato como impossível. Quando voltares cá, tu também, bate à porta. Vou mudar as fechaduras pela manhã - e não te admires se não te responder. Sou uma mulher saudosista mas, mais que isso, tenho histórias para continuar e um amor para viver. Um Coração em Demasia à espera.

7 comentários:

  1. então eu também devo ser um "Coração em Demasia"... também tenho vícios, também gosto de sentir dor que eu própria causei e acima de tudo, também espero. eternamente

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  2. É sempre um óptimo regresso e nunca "em demasia".

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  3. Bem-vinda de volta, tu e o saudosismo :)

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